A interface dialética entre a democracia e a globalização
Maria Beatriz Espirito Santo Mardegan
UNIVERSIDADE DE MARÍLIA
https://orcid.org/0000-0002-7920-9370
Artur César de Souza
UNIVERSIDADE DE MARÍLIA
https://orcid.org/0000-0001-5280-6549
Walkiria Martinez Heinrich Ferrer
UNIMAR
https://orcid.org/0000-0003-2541-0252
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Palavras-chave

Democracia. Globalização. Contextualização. Antíteses Sociais.

Como Citar

Espirito Santo Mardegan, M., de Souza, A., & Martinez Heinrich Ferrer, W. (2020). A interface dialética entre a democracia e a globalização. Direito E Desenvolvimento, 11(2), 56-77. https://doi.org/10.26843/direitoedesenvolvimento.v11i2.1269

Resumo

A pesquisa intenta deslindar a relação dialética entre a democracia e a globalização, num processo simbiótico que envolve uma série de atores, estatais e não estatais, que se interagem e se influenciam reciprocamente. O ensaio aborda a contextualização histórica do processo democrático, desde a democracia direta da antiguidade grega, ressurgindo após dois mil anos, sob o paradigma de democracia representativa, evoluindo hodiernamente para a democracia semi-indireta. A seguir, o estudo relata as diversas perspectivas ideológicas sobre a democracia, bem como os entraves enfrentados no processo de democratização na sociedade globalizada. Analisa o panorama histórico da globalização, sobretudo a partir da segunda metade da década de 1980, com o surgimento de novas tecnologias de comunicação e informação, com a redução dos custos dos meios de transporte, o desenvolvimento da internet e uma acentuada interdependência econômica mundial. A partir de então, aludido fenômeno passou de uma dimensão restritamente econômica, a uma realidade mais ampla e profunda, a qual inclui a ciência e tecnologia, as relações sociais, políticas e culturais. Destaca a possibilidade da relativização da soberania estatal diante da interdependência multifacetada do processo de globalização, concluindo que o processo da ampliação da democracia deve, necessariamente, estar condicionado à redução das disparidades sociais, uma vez que os princípios democráticos ficam demasiadamente inócuos quando a democracia é reduzida à simples regime político. Outrossim, a história tem demonstrado que extremas desigualdades sociais funcionam como um fator limitativo do processo solidificador da democracia mundial.   

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